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Saia justa...

(27.05.11)

Charge de Gerson Kauer


Cedo da manhã, o magistrado está em seu gabinete, numa comarca do interior. De repente, aparece uma senhora cinquentona - aparentemente fronteiriça - falando de maneira estabanada. Posta-se diante do birô do juiz, gesticula efusivamente e diz palavras incompreensíveis. Com a cordialidade de sempre, o magistrado  procura tranquilizá-la:

- Não estou conseguindo entender. Por favor, fale mais devagar.
 
A senhora consegue completar uma frase, fazendo uma acusação:

- Doutor, o delegado me agrediu. Ele é nosso adversário político e está a serviço do prefeito.
 
- Mas o que houve? - questiona o magistrado.
 
Ainda alvoroçada e suando às bicas, ela continua:

- Eu sou contra o prefeito e estava numa manifestação quando o safado do delegado me levou pra delegacia e me machucou.

O juiz diz que convocará a promotora substituta, logo que ela chegar, para que a queixosa seja encaminhada ao Instituto Médico-Legal.  Mas a queixosa visitante não se dá por satisfeita: quer mostrar as marcas da agressão ao juiz.

- Não precisa. Quem vai examiná-la é o perito. Depois ele colocará tudo direitinho no papel, vai fazer um laudo e me enviará - o juiz tenta fazer o breque.

A mulher não se dá por satisfeita.
 
- Eu tenho que lhe mostrar, doutor. Foi nas minhas coxas. Olhe! - e levanta a saia.

Assustado com a situação, o magistrado distancia sua cadeira do birô e insiste para que a visitante "não faça isso" dentro do gabinete onde estavam só os dois.

Ao levantar a saia, a mulher percebe que está usando uma meia-calça preta que não permite que o juiz veja o ferimento. Insolitamente, então, tenta baixar a meia-calça. Já apavorado, em fração de segundos, o juiz se levanta, dá a volta no birô e, num gesto de desespero - para evitar aquela cena constrangedora antes que alguém visse - aproxima-se da queixosa a ponto de segurar a saia para que a mulher não termine por arriar a peça e mostrar o escondível.

Nesse exato momento entra na sala a promotora de justiça substituta que acabara de chegar de uma comarca vizinha. A cena que ela vê é estarrecedora: uma mulher com a saia levantada, baixando a meia-calça e o juiz da comarca com o corpo curvado em direção à cintura da queixosa, com as duas mãos segurando aquela peça íntima...
 
*  *  *  *  *

O magistrado passa o resto do dia constrangido e explicando à recém conhecida promotora o que acontecera.
 
Até hoje, ele não sabe se a representante do Ministério Público acreditou na sua douta versão...

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Fonte: blog do juiz Rosivaldo Toscano
http://rosivaldotoscano.blogspot.com/
 
 

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