Porto Alegre, 09.09.10 - Editor: Marco Antonio Birnfeld, Reg. prof. jornalista nº 721/1510 - Tel. (51) 3028.3232
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Dedicado à cadelinha Pituca

(30.09.09)

www.clicrbs.com.br

Por Dionísio Birnfeld,
advogado (OAB/RS nº 48.200)
 
Na madrugada do dia 21, atingida por quatro tiros que lhe perfuraram o corpo, agonizou por horas a fio em um gramado de uma penitenciária de Santa Catarina.
 
Pituca – a cadelinha moradora dos arredores da prisão catarinense – teria sido alvejada por dois homens surgidos exatamente do meio das almas boas que há tempos lhe davam abrigo e alimento.
 
Parece que nem todos aqueles que a cercavam eram confiáveis. A se confirmar o fato, terá sido apresentada à face macabra da mente humana, personificada em dois agentes penitenciários que a conheciam e a miravam.
 
Sim, Pituca teria sido escolhida por dois algozes que decidiram “treinar” tiro. Talvez por ser pequena e móvel fosse o alvo ideal para aguçar a mira. Os dois teriam colocado Pituca em um carro e a levado a um local onde puderam apontar, mirar e...fogo!.
 
Depois de sofrer até de manhã, teve forças para sobreviver. Submetida a uma cirurgia, talvez tenha driblado a morte para confirmar, mesmo calada, uma terrível realidade: alguns humanos são muito, muito ruins.
 
Sinceramente, não entendo como homens adultos, provavelmente aprovados em concurso público, detentores de cargo de enorme responsabilidade, poderiam ser capazes de uma crueldade destas. Falo por mim, mas penso que não estou sozinho: só de imaginar a cena, me arrepio, me enojo e me desencanto.
 
Tenho vergonha de compartilhar a minha humanidade com pessoas como estas. Espero, de verdade, que sejam punidas como de direito, com toda a força, caso sejam realmente culpadas, pois já andam dizendo que os tiros teriam sido acidentais...
 
É um bom momento para lembrar algo que anda bem esquecido: praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais não é brincadeira, é crime! Não é só para cara feia, não. É para receber pena de detenção e multa.
 
Basta uma rápida pesquisa na Internet e casos como este brotam aos milhares. Quantas vezes mais esse tipo de insanidade vai seguir acontecendo?
 
Há cerca de quatro anos, outro emblemático caso ganhou manchetes. A cadelinha Preta foi amarrada ao para-choque de um carro e arrastada pelas ruas da cidade gaúcha de Pelotas até morrer mutilada. Pedaços seus e dos filhotinhos que lhe habitavam o ventre ficaram espalhados pelo asfalto.
 
Sinto-me na obrigação de copiar o gesto da juíza Rosana Navega Chagas, de Nova Iguaçu (RJ), que dedicou uma sentença à cadelinha Preta.
 
Quero, hoje, dedicar este artigo à cadelinha Pituca.
 
(*) E-mail: dionisio@marcoadvogados.com.br

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