Dedicado à cadelinha Pituca (30.09.09)www.clicrbs.com.br  |
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Por Dionísio Birnfeld,
advogado (OAB/RS nº 48.200)
Na madrugada
do dia 21, atingida por quatro tiros que lhe perfuraram o corpo, agonizou por
horas a fio em um gramado de uma penitenciária de Santa Catarina.
Pituca – a cadelinha moradora dos arredores da prisão catarinense –
teria sido alvejada por dois homens surgidos exatamente do meio das almas boas
que há tempos lhe davam abrigo e alimento.
Parece que nem todos aqueles
que a cercavam eram confiáveis. A se confirmar o fato, terá sido apresentada à
face macabra da mente humana, personificada em dois agentes penitenciários que a
conheciam e a miravam.
Sim, Pituca teria sido escolhida por dois algozes
que decidiram “treinar” tiro. Talvez por ser pequena e móvel fosse o alvo ideal
para aguçar a mira. Os dois teriam colocado Pituca em um carro e a levado a um
local onde puderam apontar, mirar e...fogo!.
Depois de sofrer até de
manhã, teve forças para sobreviver. Submetida a uma cirurgia, talvez tenha
driblado a morte para confirmar, mesmo calada, uma terrível realidade: alguns
humanos são muito, muito ruins.
Sinceramente, não entendo como homens
adultos, provavelmente aprovados em concurso público, detentores de cargo de
enorme responsabilidade, poderiam ser capazes de uma crueldade destas. Falo por
mim, mas penso que não estou sozinho: só de imaginar a cena, me arrepio, me
enojo e me desencanto.
Tenho vergonha de compartilhar a minha humanidade
com pessoas como estas. Espero, de verdade, que sejam punidas como de direito,
com toda a força, caso sejam realmente culpadas, pois já andam dizendo que os
tiros teriam sido acidentais...
É um bom momento para lembrar algo que
anda bem esquecido: praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais
não é brincadeira, é crime! Não é só para cara feia, não. É para receber pena de
detenção e multa.
Basta uma rápida pesquisa na Internet e casos como
este brotam aos milhares. Quantas vezes mais esse tipo de insanidade vai seguir
acontecendo?
Há cerca de quatro anos, outro emblemático caso ganhou
manchetes. A cadelinha Preta foi amarrada ao para-choque de um carro e arrastada
pelas ruas da cidade gaúcha de Pelotas até morrer mutilada. Pedaços seus e dos
filhotinhos que lhe habitavam o ventre ficaram espalhados pelo
asfalto.
Sinto-me na obrigação de copiar o gesto da juíza Rosana Navega
Chagas, de Nova Iguaçu (RJ), que dedicou uma sentença à cadelinha
Preta.
Quero, hoje, dedicar este artigo à cadelinha
Pituca.
(*)
E-mail: dionisio@marcoadvogados.com.br