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A Câmara dos Deputados da Espanha aprovou ontem (17), com 184 votos a favor, 158
contra e 2 abstenções, o projeto de reforma da legislação que permitirá a jovens
a partir de 16 anos realizar aborto, entre outras mudanças. A lei ainda deve
passar pelo Senado, onde tudo indica que também será aprovada.
Segundo
o jornal espanhol "El País", a Lei Orgânica de Saúde Sexual e Reprodutiva e da
Interrupção Voluntária da Gravidez inclui alterações como o reconhecimento da
objeção de consciência individual, a garantia da educação sexual, a concessão de
contraceptivos subsidiados de última geração e, especialmente, a permissão do
abortos por mulheres com idades entre 16 anos e 18 anos.
Um dos artigos
mais polêmicos estabelece que as adolescentes não precisam informar seus pais
sobre o aborto se houver suspeita razoável de que a decisão pode levar a
problemas de violência na família.
A proposta recebeu aprovação da
Comissão de Igualdade da Câmara dos Deputados na semana passada com a inclusão
de alterações aos vários grupos parlamentares.
O projeto da nova lei
inclui ainda determinação de que todas as escolas ofereçam educação sexual e que
os estudantes de medicina e enfermagem tenham aulas sobre como praticar o
aborto.
O texto, contudo, também reconhece o direito à objeção de
consciência dos profissionais de saúde --eles têm assim o direito de recusar a
prática do aborto se entrar em conflito com a sua consciência moral, religiosa
ou humanitária.
A deputada socialista Carmen Montón afirmou ao jornal
espanhol que o texto foi resultado de um consenso na Câmara, apesar do alto
número de votos contrários.