
| |
O advogado Eduardo Timbira, que defende o acusado de mandar matar a missionária
Dorothy Stang - Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida - disse no sábado que pretende
recorrer da decisão da Justiça que negou o habeas corpus ao fazendeiro na última
quinta-feira. Timbira deverá pedir ao Supremo Tribunal Federal a liberdade de
Bida, que na manhã do sábado se entregou à polícia do Pará.
"Estamos
aguardando a publicação do acórdão (da decisão do Superior Tribunal de Justiça)
para preparar um pedido no STF. Vou a Brasília ainda esta semana", disse
Timbira.
O advogado argumenta que não há motivos que justifiquem a
prisão preventiva de Bida. "Foi um ato arbitrário. Ele está exercendo sua
atividade de pecuarista, vivendo normalmente, cuidando da família. Não
representa nenhum risco à ordem pública nem ao andamento do processo", disse.
Timbira afirmou que ele próprio aconselhou o fazendeiro a se apresentar
à Polícia Civil após a negativa do habeas corpus. "Foi uma orientação minha. Eu
disse a ele: não adianta fugir, reagir, tem que se apresentar".
Em 2007,
Bida foi condenado a 30 anos de prisão. Um novo julgamento, em 2008, inocentou o
fazendeiro. O Ministério Público recorreu e a Justiça paraense anulou a
absolvição do fazendeiro e determinou nova prisão. Em abril de 2009, a defesa de
Bida entrou com um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça e
conseguiu uma liminar que o manteve em liberdade até o julgamento do mérito na
última quinta-feira.
Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros em 12
de fevereiro de 2005, no município de Anapu, sudeste do Pará. A missionária
trabalhava com pequenos agricultores pelo direito à terra e contra a exploração
de grandes fazendeiros da região. (Com informações da Agência Brasil).